Jornalismo Robótico?

O uso de computadores para criar reportagens sem a ajuda de seres humanos está em alta. Até agora essas reportagens tendem a ser relatórios de agências financeiras, notícias de marketing ou pequenas tiras sobre o resultado de um jogo de esporte. Esse tipo de noticiário não-humano tem sido chamado de “jornalismo robótico”.

A Associated Press é uma das empresas que atualmente se valem de softwares para gerarem diversos tipos de notícia. Eles publicam cerca de 3.000 notícias deste tipo por trimestre, ou seja,  cerca de 1.000 notícias “robóticas” por mês.

As notícias robóticas da Associated Press são geradas por um sistema chamado Wordsmith (literalmente “ferreiro de palavras”). A empresa criadora do sistema, Automated Insights, afirma que sua plataforma consegue gerar cerca de 2.000 histórias por segundo. Ela transforma dados em notícias escritas. Afirmam que o sistema usa uma  “inteligência artificial para descobrir padrões e tendências, transforma-los em dados grosseiros e então descrever estes dados em inglês inteligível.”

Robôs Curiosos

Lou Ferrara, vice presidente e editor chefe de notícias corporativas da Associated Press, garante porém que notícias geradas pelo computador não estão retirando empregos. Ele chegou a dizer num comunicado recente, “A automação nos permitiu liberar repórteres e jornalistas para focarem menos em processamento de dados e gastarem mais energia em reportagens de alto nível. A automação nunca teve como objetivo remover empregos e sim sobre como podemos usar melhor os recursos que temos em um ambiente que muda constantemente e sobre como podemos aproveitar a tecnologia para tocar a melhor empresa de jornalismo do mundo.”

 

Minha opinião sobre este absurdo

A Associated Press pode até não estar reduzindo seu quadro de funcionários enquanto produz notícias feitas por robôs, mas estas notícias robóticas podem sim prejudicar escritores, repórteres e jornalistas de organizações menores. Softwares como esse “Wordsmith” podem até por enquanto espirrar pequenas notícias irrelevantes sobre ganhos do dia da bolsa de valore ou sobre o desempenho dos jogadores na partida de ontem, mas conforme ela for se aprimorando em sofisticação poderá ser potencialmente usada mais frequentemente para cobrir outros tipos de assuntos.  O portal The Verge noticiou recentemente que outras empresas já estão usando o Wordsmith a algum tempo, como o Yahoo, que o utiliza para gerar notícias fantasiosas sobre futebol americano. Minha dúvida é: será que esses donos de jornais e editoras realmente se importam em transmitir informações verídicas aos seus leitores?

A Associated Press afirmou que todas essas “noticias robóticas” possuem no seu rodapé uma pequena linha minúscula de quase 0 pixels com os dizeres: “Esta matéria foi gerada pelo Automatizador de Notícias”. Por que eles não colocam essa informação logo de cara, bem no topo, deixando claro para os leitores que ele não está lendo um texto originado de uma mente brilhante, sincera e honesta?

A guerra travada na internet hoje é pelo conteúdo. Seria a capacidade de gerar 2000 notícias por segundo sem precisar de seres humanos, e obviamente sem se preocupar com a autenticidade das informações, apenas uma maneira de “liberar jornalistas de se preocuparem com notícias inúteis”, ou seria mais uma forma egoísta e inescrupulosa de atrair consumidores para anúncios patrocinados que são despejados no seu campo de visão, sem o seu consentimento, na maioria dos portais de notícia da internet?

Fabio Ferreira on EmailFabio Ferreira on InstagramFabio Ferreira on Twitter
Fabio Ferreira

Desenvolvedor Javascript e PHP, é editor do blog Café na Veia e também atua como desenvolvedor web freelancer na cidade de São Paulo.


Author: Fabio Ferreira

Desenvolvedor Javascript e PHP, é editor do blog Café na Veia e também atua como desenvolvedor web freelancer na cidade de São Paulo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Instagram did not return any images.

Siga também nosso Instagram!